12 novembro 2008

FAZENDO VALER A PENA

Chamado Para Servir “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1ª Coríntios 15:58)

Quando Paulo escreveu a primeira epístola à igreja em Corinto, igreja esta fundada por ele em sua segunda viagem missionária, Paulo estava na cidade de Éfeso, em sua terceira viagem missionária. Ele não tinha a intenção de propor um tratado teológico, mas responder questionamentos feitos pela igreja em Corinto, para tratar de vários e sérios problemas que estava perturbando a vida desta igreja. A igreja de Corinto estava dividida, e nela havia questões de doutrinas e a respeito da vida cristã. A carta, em sua maior parte de caráter prático, trata de problemas espirituais e morais. É um livro didático de teologia pastoral. As questões eram as mais variadas como insubmissão, falta de reverência, questões relacionadas a prática sexual, o relacionamento entre homem e mulher na igreja, leis sobre alimentos, o dom de línguas, a ressurreição dos mortos, dentre outros assuntos. Alguns destes problemas envolviam desafios contra a autoridade de Paulo.

Nas duas epístolas escritas à igreja em Corinto, além de tratar os assuntos questionados pela igreja, Paulo também defende a sua autoridade apostólica, que estava sendo posta em dúvida pelos seus adversários. E isto não era algo isolado, mas um problema que Paulo sempre enfrentou, devido o seu passado de perseguidor e o fato de não ser reconhecido como um apóstolo.

Paulo passou de inimigo dos cristãos pelo seu zelo pela lei à um advogado incansável do evangelho. Passou de perseguidor a perseguido. Em sua viagem a Damasco, Jesus chamou-o para uma obra que ele havia sido preparado: anunciar as boas-novas aos gentios. Ele passou a ser ameaçado de morte pelos judeus. Não foi visto com confiança pelos cristãos. Foi abandonado por muitos em seu ministério. Foi preso, passou a viver em cárcere por dois anos, mas continua seu ministério por meio das cartas. Foi solto. A prisão não o fez desanimar, ele continuou seu ministério por três anos. Novamente foi preso e depois foi morto.

Em momento algum do seu ministério ele esmoreceu. Continuou a estudar a palavra de Deus, escrever cartas e pregar o evangelho, defender a fé cristã. Ele permaneceu até o fim firme, inabalável e sempre abundante. Algumas de suas frases e conselhos tornaram-se memoráveis:

"Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus."

(Filipenses 3:13b,14)

"Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé."

(2ª Timóteo 4:7)

No capítulo 15 da 1ª Epístola aos Coríntios, motivo da nossa meditação desta noite, Paulo trabalha a questão da doutrina da ressurreição. Ele nos fala da importância da ressurreição de Cristo Jesus, e aproveita em meio aos relatos dos que viram o Jesus ressurreto para testificar o seu apostolado. Fala também sobre as conseqüências de negar a ressurreição e a esperança cristã: que teremos nossos corpos ressurretos e a vitória do cristão por meio de Cristo. Aí finaliza o capítulo com a maravilhosa afirmação: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1ª Coríntios 15:58).

Este versículo em especial é o motivo da nossa reflexão de hoje. Mesmo Paulo passando por todo tipo de dificuldade e privação, em todos os sentidos, como foi mencionado acima, ele admoesta a igreja de Corinto, chamando-os a viverem de maneira firme, inabalável e sempre abundante na obra no SENHOR.

Hoje eu gostaria de maneira breve refletir sobre isso. Todos nós somos chamados para um propósito específico: propagar as boas-novas. Que, independente de como somos vocacionados, todos somos chamados. Outra coisa que temos em comum é que passamos por diversas coisas em nossos ministérios. E Paulo de maneira brilhante nos dá conselhos para que possamos permanecer fiéis ao chamado dado por Deus para nós, pois somos chamados a ser verdadeiros discípulos.

Como nós, verdadeiros discípulos fazemos valer a pena?

EM PRIMEIRO LUGAR

Sendo firmes na obra do SENHOR:

(Não fugindo ao propósito)

Gostaria aqui de destacar FIDELIDADE AO CHAMADO MINISTERIAL.

Meus irmãos somos chamados a ser, permanecer firmes ao chamado que Deus nos deu e aos Seus propósitos, sem nos desviarmos daquilo que Ele tem pra nós. Não é sermos firmes um tempo apenas ou só a alguma coisa, mas sempre sermos firmes, todos os dias e em todo tempo. Sermos firmes àquilo que fomos chamados a fazer. Estou cansado de ver “pastores e pastores”, “ministros e ministras de música”, que negociam princípios e valores e até mesmo a “fé”. Em Ezequiel 34:1-11 nós lemos sobre os falsos pastores, os pastores infiéis, que estavam preocupados somente com a lã e a gordura e estavam esquecendo-se de apascentar o rebanho, fortalecer as ovelhas fracas, curar as doentes, de cuidar das feridas, de trazer de volta as desgarradas e procurar as perdidas. Que só se preocupavam consigo mesmos e com as suas necessidades. Deus fala que Ele tirará destes pastores o Seu rebanho e Deus mesmo as apascentará.

Quantos pastores, ou melhor, profissionais da fé temos assim em nossas igrejas? Que só se preocupam com que proveito eles tirarão do evangelho. Meus irmãos, se você está numa igreja ou missão, só preocupado em ter seu nome em evidência e tirar proveito do ministério pra se promover, CAIA FORA! Se quer apenas tirar proveito da obra do SENHOR, CAIA FORA! A obra do SENHOR precisa de homens e mulheres realmente chamados e dispostos a servir, a cuidar da missão, da vocação que Deus colocou em nossas mãos.

O desafio: Sejam firmes na obra do SENHOR.

EM SEGUNDO LUGAR

Sendo Inabaláveis na obra do SENHOR:

(Não sendo abalados por nada)

Gostaria aqui de destacar PERSEVERANÇA NO CHAMADO MINISTERIAL.

Aqui nós somos chamados a não nos abalarmos com as adversidades que temos passado. Quantas vezes nos pegamos desanimados por questões do nosso ministério? Com pessoas que não se importam com o andar da igreja? Com a questão de sempre ser difícil fazer trabalhos na igreja e principalmente fora dela? Isso acaba por nos desanimar e por isso nos sentimos tentados a querer apenas nos omitir, para não nos frustrarmos ainda mais. Pensamos: “como seria bom pelo menos por um domingo sentar no banco da igreja e só receber. Não me preocupar com mais nada. Apenas chegar ao culto, assistir e ir pra casa”. Quantas vezes pensamos assim?

Em Filipenses 4:11-13, aprendemos por meio da vida de Paulo a nos contentar com toda a situação, mesmo as mais adversas. Somos chamados a esperar e descansar em Deus, pois Ele nos fortalece em todas as situações, em tudo.

O desafio: Sejam inabaláveis na obra do SENHOR.

EM TERCEIRO LUGAR

Sendo sempre abundantes na obra do SENHOR:

(Sejamos sempre alegres e estejamos sempre com a motivação correta)

Gostaria aqui de destacar ALEGRIA NO CHAMADO MINISTERIAL.

Em último lugar, nós somos chamados a nos alegrar na obra do SENHOR. Independente das adversidades, das dificuldades, nós somos chamados a nos alegrar na Sua obra. Somos constantemente chamados à alegria em Sua palavra.

Em Filipenses 4:4 nós lemos: “Alegrai-vos sempre no SENHOR; outra vez vos digo: alegrai-vos”. Amados, como nos falta alegria em nossa vida cristã, no nosso dia a dia. Vivemos constante e diariamente cabisbaixos. Não estou aqui pregando que não passaremos por momentos tristes, mas de onde vem a nossa alegria? Então sejamos alegres!

No Salmo 100:2 somos desafiados a servirmos ao SENHOR com alegria, ou seja, não fazermos a obra de maneira relaxada, como um fardo, uma obrigação, mas com alegria.

O Salmo 122:1 diz: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do SENHOR”. Devemos estar alegres toda vez que vamos à sua casa. Não odiarmos o fato que teremos que mais uma vez estar à frente de um trabalho da igreja ou pensar: “nossa, tenho que acordar cedo amanhã para ir para a EBD”, mas acordar alegres e resultantes, pois iremos à casa do no nosso Deus.

O desafio: Sejamos sempre abundantes na obra do SENHOR.

Resumindo: por que devemos ser firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do SENHOR? Porque não é em vão. Porque como já foi dito anteriormente, Paulo aborda em todo o capítulo 15 desta epístola um fato específico: que temos que ter uma convicção firme da nossa ressurreição em Cristo Jesus e uma esperança definida quanto ao nosso futuro e tudo isso são incentivos para o serviço no presente. Em outras palavras Paulo nos diz: SEJAM FIÉIS AO QUE FORAM CHAMADOS A FAZER! FAÇAM VALER A PENA! VIVAM DA MANEIRA QUE DEUS ESPERA!

Para finalizar, gostaria de citar uma ilustração. Eu amo filmes. Se um dia você quiser me dar um presente, tenho três sugestões: filmes, filmes e livros. Eu amo filmes. E tem um em especial que sempre me faz parar e refletir sobre a minha vida e como eu a tenho vivido. O filme se chama: “O RESGATE DO SOLDADO RYAN”. Neste filme, sem querer me estender mais ainda, consta o relatado da saga de um pelotão que é destacado para salvar um soldado específico, pois este havia perdido os seus três irmãos na guerra e o Chefe do Estado-Maior dos EUA manda resgatá-lo e mandá-lo de volta para casa, para conservar o legado da sua família. Este história se desenrola em plena 2ª Guerra Mundial, após o Dia D, a famosa invasão à Normandia, na França, pela praia de Omaha, em 06 de Junho de 1944.

Em meio a este jornada, os soldados que integram este pelotão, passam a questionar como pode vários homens arriscar as suas vidas por apenas um homem. Essa é uma das questões-chave do filme. Alguns morrem pelo caminho até que acham o soldado Ryan. Ele é comunicado sobre a morte de todos os seus irmãos e lhe é avisado que ele irá para casa. Ele pára, reflete por um tempo e decide que não abandonará seus amigos, que agora passaram a ser sua família, seus irmãos, e que permaneceria em seu posto. O posto em questão é uma ponte, uma ponte estratégica para o fracasso alemão. O Capitão do Pelotão de resgate, Capt. John Miller, decide ficar e ajudá-los a proteger a ponte. Pulando pra cena em questão, eles protegem a ponte com as suas vidas e praticamente todos do pelotão de resgate morrem. Perto de morrer, em meio ao vôo salvador dos P-51, os cadilac´s do Céu, o Capitão puxa o soldado Ryan para perto dele e diz: FAÇA POR MERECER... FAÇA VALER A PENA!

Muitos anos se passam e lá está o soldado Ryan aos pés do túmulo do Capitão Miller. Ele olhando para a lápide diz: "Sempre imaginei como seria voltar aqui. Tentei viver a minha vida o melhor que eu pude. Espero que tenha sido suficiente. Pelo menos diante de seus olhos, espero ter sido digno de tudo que fizeram por mim". Sua esposa se aproxima dele, ele olha pra ela e pede: "Diga, diga eu que tive uma vida digna. Que sou um bom homem". Ela olha para o túmulo, volta seus olhos para o marido e com ternura coloca a mão no seu rosto e diz: "sim, você é". Ele olha para o túmulo daquele Capitão certo de que fez por merecer, ele fez valer à pena!

Jesus Cristo deu a Sua vida naquela cruz pelos nossos pecados. Para que hoje pudéssemos ter livre acesso à presença de Deus e a vida eterna; chamou-nos para proclamar as boas-novas, mesmo nós sendo pecadores, fracos e Ele nos diz: FAÇAM POR MERECER, FAÇAM VALER A PENA!

A minha oração é que quando chegarmos diante de Deus, para prestarmos conta de tudo que Ele nos colocou como propósito, como missão, de tudo aquilo que fomos separados e chamados a fazer, nós possamos responder: TENTEI VIVER A MINHA VIDA CRISTÃ E O CHAMADO QUE FOI COLOCADO PRA MIM DA MELHOR FORMA QUE EU PUDE. ESPERO QUE TENHA SIDO SUFICIENTE. PELO MENOS DIANTE DOS SEUS OLHOS SENHOR, EU ESPERO TER SIDO DIGNO DA VOCAÇÃO QUE FOI CONFIADA A MIM.

Que o nosso Bom Deus continue a nos abençoar, capacitar, nos ungir e nos usar, no desafio de sermos verdadeiros discípulos, hoje e sempre, cada dia mais.

AMÉM!

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"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e , sim, unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e assim transmita graça aos que ouvem."(Efésios 4:29)